Um homem disse que a força transformadora da criança era bela, mas inútil diante do poder de um fascista; que seus olhos e seus sentimentos se confundiam com o joio e o trigo em seu caminhar; que bastava ele ser homem para entender o poder da força que submetia outros homens, e que esse era o sentido da vida.
A criança se fez jovem, tomou para si seu trabalho, sentiu a dor desconcertante e o calo nas mãos, pôs-se no lugar de tantos excluídos, fortaleceu sua alegria, comeu com os indignos, fez-se homem acreditando que tudo pode mudar, que utópicos são os que transformam a dura realidade, são os que quebram os fascistas e os vendilhões do mercado.
E que o medo irracional que ele sentia, não era seu, e tantos outros sentimentos e frustrações não lhe atendiam.
Todos os dias, quando saio, vejo esse homem que também é mulher, é menino, é gay ou travesti.
Por onde passo, vejo que, por mais que o muro seja intransponível, sempre haverá uma fresta, uma nesga — aí é onde habita a vida.
Ele sabia, que viver, é recusar o poder...
@charoth10
#ElCocineroLoko
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