O trabalho da Dra. Anike"Ìyá Osunladun Anike Omidire" é de uma relevância imensa. O centro desenvolve pesquisas sobre a Nigéria, suas tradições, saberes, artes, culinária, religião e cultura — um verdadeiro elo diasporico entre Bahia e África.

🌿 Recuperação Linguística: enquanto no Candomblé a língua yorùbá é sobretudo litúrgica, presente em cantigas e rezas, o Mọrèmi busca ensiná-la como língua viva, de uso cotidiano. Isso aprofunda o entendimento da cultura e devolve à palavra seu lugar no mundo.

🌍 Descolonização do Saber: Anike traz o conhecimento diretamente da fonte, da Nigéria, oferecendo uma perspectiva autêntica e interna sobre o universo yorùbá — um saber que por séculos foi filtrado por lentes coloniais. Seu trabalho empodera a diáspora, oferecendo um acesso direto à herança cultural e linguística africana.

Ela une o rigor da academia ao respeito pelas tradições do Candomblé, atuando de forma complementar, e nunca intrusiva, Dra. Anike acredita profundamente nas mudanças através da cultura.

Nosso encontro foi tranquilo, mas cheio de trocas e aprendizados. Conversamos sobre a presença nigeriana na Bahia, sobre semelhanças culturais e culinárias, sobre comidas e afetos, e sobre elementos que nos ligam — até chegarmos, naturalmente, à comida, às folhas e às plantas alimentícias.

Ela me mostrou as receitas de um livro infantil ao qual está se dedicando — fica aqui a sugestão para as editoras: tenho certeza que será um sucesso!

Fui surpreendido: não tínhamos combinado um almoço, mas ela me acolheu com generosidade e me apresentou sua maneira de cozinhar.

Efinrin e Gbúre foram dois dos temperos utilizados na preparação do prato, que leva um molho rico e aromático feito com pimentão verde, cebola, pimenta-de-cheiro, caldo, azeite de dendê, abóbora, couve, e as folhas de língua de vaca, quioioio e um tempero surpresa: o Alumã seco.

Falamos sobre o Egussi, sementes essenciais na culinária nigeriana, e sobre as folhas amargas, como o Alumã, que ela resseca e usa em alguns pratos. Provei a erva seca e percebi seu alto teor de sal — uma descoberta sensorial e simbólica.

O almoço foi delicioso. Comemos com as mãos, como manda a tradição, e por algum momento, os sabores me trouxeram lembranças confortantes.

Ela preparou pratos intensos e honestos, acompanhados de dois tipos de Fufu: Ẹ̀ba, feito com farinha de mandioca, outro com Carimã fermentada, tradição viva na Nigéria.

Nosso encontro integra a agenda do Grupo de Estudos sobre a Culinária Baiana, um movimento que busca reconhecer e valorizar as mulheres que moldaram o sabor e o espírito da nossa cozinha, reafirmando a presença africana e diaspórica que nos atravessa.

Agora entendo por que os nigerianos dizem: “Eniyan rere” — uma alma boa, generosa e cheia de luz.

Morèmi Centro Yorubá

Rua Carlos Santanna

Sao Cristovão-Salvador - BA-41510-789

Contatos (-12.9095364, -38.3607019)


✨ Aguardem: há muito para compartilhar desse encontro bonito.


#elcocineroloko

@charoth10


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