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Showing posts from November, 2025

PLANTAS ALIMENTÍCIAS E COMIDAS NO QUILOMBO DO JACAREQUARA: COMO A CULTURA ALIMENTAR SUSTENTA MEMÓRIA, IDENTIDADE E RESISTÊNCIA

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Localizado em Santa Luzia do Pará, no Nordeste Paraense, o quilombo do Jacarequara revela um dos aspectos mais potentes das comunidades tradicionais brasileiras: a comida como eixo de memória, identidade e continuidade cultural. Um estudo recente analisou como as plantas alimentícias e as práticas culinárias organizam a vida no território e enfrentam as pressões contemporâneas que ameaçam esses saberes. A culinária do Pará é um dos mais saborosos e complexos patrimônios imateriais do Brasil. Pratos que conquistaram o paladar nacional, como o irresistível Arroz de Cuxá, o icônico Pato no Tucupi, o reconfortante Tacacá e tantas outras iguarias, são muito mais que uma explosão de sabores na boca. Eles são a expressão viva de uma rica tapeçaria cultural, onde se entrelaçam saberes indígenas, heranças africanas e adaptações portuguesas. Cada ingrediente nativo, como o tucupi, a mandioca e as folhas de jambu, carrega uma história milenar de interação com a floresta. Esses saberes, no entanto...

WÁ JEUN DA LIBERDADE: A FORÇA DA CULINÁRIA TRADICIONAL QUILOMBOLA GANHANDO TERRITÓRIO NO NORDESTE

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A imagem de divulgação do projeto Wá Jeun da Liberdade— Mãe Neide Oyá d’Oxum preparando alimentos com serenidade e firmeza — traduz seu espírito: a cozinha como templo, lugar de transmissão de memória, cuidado e luta. O projeto Wá Jeun da Liberdade vem mobilizando saberes ancestrais e fortalecendo a autonomia comunitária em sete estados do Nordeste. Inspirada no livro Wá Jeun – Sabores Ancestrais Afro-Indígenas, de Mãe Neide Oyá d’Oxum, a iniciativa articulada pelo Centro de Formação e Inclusão Social Inaê, em parceria com a Fundação Banco do Brasil, afirma a Culinária Tradicional como patrimônio vivo, ciência dos quintais e expressão da resistência africana e indígena no Brasil. Inspirado no livro “Wá Jeun – sabores ancestrais afro-indígenas”, lançado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos, o Centro de Formação e Inclusão Social Inaê firmou parceria com a Fundação Banco do Brasil para desenvolver o projeto ‘Wá Jeun da Liberdade’, que une tradição e valorização da identidade afro-brasi...

A INCOERÊNCIA COLONIALISTA NA MESA ALHEIA: POR QUE A “SALVAÇÃO” DA AMAZÔNIA NÃO PODE PASSAR PELA PROIBIÇÃO DA CARNE SILVESTRE

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Um estudo inédito publicado na revista Nature reacendeu um debate central para o futuro da Amazônia: o papel da carne silvestre na segurança alimentar e na autonomia dos povos da floresta. A pesquisa, que compila dados coletados entre 1965 e 2024 em mais de 600 comunidades amazônicas, faz um alerta direto: qualquer proposta de proibir ou substituir a carne silvestre sem considerar os contextos locais representa uma visão colonialista que ameaça direitos fundamentais. A controvérsia sobre a carne silvestre na Amazônia ganhou novo fôlego — e não apenas no campo científico. O chef paraense Saulo Jennings, referência na culinária da floresta, tem insistido que o debate precisa superar a velha dicotomia entre dietas vegetarianas e não vegetarianas.  Para ele, a questão central é outra: como conciliar cultura alimentar, autonomia dos povos amazônicos e preservação ambiental. A afirmação aparece de forma contundente no relatório e sintetiza uma crítica histórica às políticas de conservaç...

A AGROECOLOGIA NA AMAZÔNIA FORTALECE OS SISTEMAS ALIMENTARES SUSTENTÁVEIS.

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Por Romier da Paixão Sousa, Tatiana Deane de Abreu Sá Na Amazônia, o conhecimento científico agroecológico se combina com o saber ancestral de povos e comunidades tradicionais no manejo florestal. Essa fusão resulta em diversas iniciativas que se apresentam como resistência ao avanço do agronegócio. O valor agregado gerado por agroindústrias de pequena escala organizadas por cooperativas de agricultura familiar ganhou força nos últimos anos, particularmente por meio de produtos de sociobiodiversidade, como açaí, castanha-do-pará e outros. Informações sobre a licença Legenda da imagem teaser A agroecologia é uma ciência que mobiliza princípios e métodos ecológicos para apoiar o desenvolvimento de sistemas agroalimentares mais sustentáveis. O conceito de agroecologia expandiu-se nos últimos anos, acompanhando a evolução dos debates que destacam a impossibilidade de isolar “ilhas de sucesso” na produção, desconsiderando questões mais amplas como concentração de terras, processamento, mer...
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Hermann Kummler, Swiss, (1863-1949) Portrait of a Indigenous Brazilian woman wearing a cross) 1861-1862 From Ethnographic portraits of indigenous women of Pernambuco and Bahia Salt paper print, hand-painted Metropolitan Museum of Art NYC “Als Kaufmann in Pernambuco 1888-1891” Trata-se de um relato de viagem / memórias / diário de Kummler sobre sua estada no Brasil entre 1888 e 1891 — período em que ele atuava como comerciante/importador em Pernambuco e cidades como Recife, e ocasionalmente viajava para Salvador e Rio de Janeiro.  A edição mais recente do livro foi publicada em 2001 pelos editores Béatrice Ziegler e Beat Kleiner, pela editora Chronos Verlag (Zürich).  O subtítulo da edição é “Ein Reisebericht mit Bildern aus Brasilien von Hermann Kummler” — ou seja: “Um relato de viagem com imagens do Brasil por Hermann Kummler”.  O livro combina texto com fotografias (e algumas imagens coloridas manualmente) feitas ou compiladas por Kummler durante sua estada.

EKÓ, ACAÇÁ, HITAMBOLO: A OFERENDA PRIMORDIAL QUE NUTRE OS ORIXÁS E A CULTURA BAIANA

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Até pouco tempo atrás, quem subia as ladeiras do Carmo ou caminhava pelo Pelourinho encontrava uma figura que fazia parte da paisagem afetiva de Salvador: o vendedor de acaçá. Com seu balaio no braço e o cheiro quente do milho cozido embalado na folha de bananeira, ele carregava muito mais que alimento — carregava memória, axé e tradição. O acaçá branco, na sua aparente simplicidade, é um alimento de uma força imensa. Não é apenas comida de santo. É, como dizem as mais velhas, “a oferenda que restitui o axé e devolve a paz e a prosperidade à terra”. O acassá é um dos alimentos afro-atlânticos mais estudados por antropólogos, historiadores da alimentação e pesquisadores da diáspora. Ele não é apenas comida: é tecnologia agrícola, marcador identitário, alimento ritual e arquivo cultural que cruzou o Atlântico com povos de língua gbe (Ewe, Fon) e iorubás. Várias pesquisas mostram que o acassá é um conhecimento matrilinear, passado de mãe para filha e de mais velha para mais nova dentro do...

SABORES DA RESISTÊNCIA: PATRIMÔNIO ALIMENTAR, MEMÓRIA E A LUTA CONTRA O RACISMO NO BRASIL

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A relevância e a contribuição histórica e cultural da população negra no Brasil Nossa Culinária Tradicional é Patrimônio Imaterial, ela é um código cultural comestível, uma forma de memória que se experimenta no paladar. Protegê-la como patrimônio imaterial é garantir que os saberes ancestrais que dão sabor e identidade ao Brasil continuem vivos, sendo transmitidos e reinventados pelas futuras gerações. É entender que a cultura reside tanto nos museus quanto nas panelas. Novembro, Mês da Consciência Negra, é um período de celebração, reflexão e reconhecimento da profunda e fundamental contribuição dos povos africanos e afro-brasileiros para a formação da nossa nação. E um dos legados mais sensoriais, presentes no cotidiano de todos os brasileiros, é a nossa culinária. No entanto, para além do sabor, a comida tradicional é um poderoso patrimônio imaterial, um repositório de memória e um campo onde se travam disputas contra o racismo estrutural. A feijoada, o acarajé, o vatapá, o caruru,...

OFÍCIO DAS TACACAZEIRAS É RECONHECIDO COMO PATRIMÔNIO CULTURAL DO BRASIL

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Decisão do IPHAN inscreve o trabalho no Livro dos Saberes, destacando a importância das mulheres amazônicas na preservação de saberes ancestrais. Iniciativa reforça o potencial do turismo culinário e gastronômico no Brasil Ofício das Tacacazeiras da Região Norte foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil. Crédito: Márcia do Carmo/MTur Destinos Oprocesso de elaboração de uma das comidas mais típicas da Amazônia brasileira acaba de alcançar uma importante conquista. Nesta terça-feira (25.11), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) reconheceu o Ofício das Tacacazeiras da Região Norte como Patrimônio Cultural do Brasil, destacando a importância das mulheres amazônicas na preservação de saberes ancestrais ligados à culinária regional. A decisão, que insere o ofício no Livro dos Saberes, foi tomada na 111ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, integrado pelo Ministério do Turismo e composto por técnicos e representantes da sociedade civil. P...

A NIXTAMALIZAÇÃO NA CULINÁRIA TRADICIONAL BRASILEIRA: O SABER INDÍGENA MEXICANO QUE HABITA O NOSSO DOCE DE MAMÃO VERDE

Você sabia que um dos segredos para o doce de mamão verde perfeito veio diretamente da culinária ancestral do México?  Pois é! Essa técnica fundamental, essencial para a textura do doce, tem suas raízes na Mesoamérica, trazida pelos povos originários daquela região para se tornar um clássico nas cozinhas do interior do Brasil. Confira no vídeo @ coisasdevooficial , que a técnica se mantém viva no Brasil rural. O QUE É A NIXTAMALIZAÇÃO? É o processo ancestral em que vegetais são cozidos ou deixados de molho em água com cal ou cinzas, modificando fibras, retirando amargor, alterando textura e aumentando a biodisponibilidade de nutrientes. No México, essa é a base do preparo do milho e das tortillas. No Brasil, a técnica se incorporou à cozinha popular — principalmente em Minas Gerais, Bahia e Goiás — e se tornou parte da tradição do doce de mamão verde. COMO ISSO APARECE NO BRASIL O processo é simples, ancestral e extremamente eficiente: ralar o mamão ainda verde, deixar de molho em ...
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Cid Teixeira e a torpe ideia de “branco puro em Salvador”. - "Cid Teixeira (Cid Teixeira de Araújo, 1930-2011) era mesmo um dos grandes historiadores baianos, com obra sólida e estilo direto.  Sobre miscigenação e a ideia de “branco puro” em Salvador, ele costumava dizer, com seu jeito meio irônico e sem papas na língua, mais ou menos o seguinte (resumindo e juntando várias falas dele em entrevistas e textos): - «Aqui em Salvador não existe branco puro coisa nenhuma. Essa história de branco de raiz é conversa fiada de gente que quer parecer europeu em cidade que é África com molho português.  A elite baiana tradicional, aquela dos sobrados do Pelourinho e das fazendas do Recôncavo, é toda misturada: tem sangue indígena, tem sangue negro, tem sangue português, tem até umas gotas de holandês perdido no meio.  O sujeito que se acha “branco puro” na Bahia geralmente é um moreno claro que clareou mais ainda na fotografia do estúdio. É branquitude de fachada.» Em resumo, para C...

A CULTURA ALIMENTAR GUARANI MBYA SEGUE VIVA PELA FORÇA DOS JOVENS 🌽🐝

Os jovens da etnia Guarani Mbya estão despertando as memórias de seus antepassados para manter viva a tradição — e a cultura alimentar é um dos pilares dessa retomada. Na Terra Indígena Ribeirão Silveira, litoral de São Paulo, a Escola Viva Mbya Arandu Porã integra práticas de educação tradicional com saberes sobre cultivo, colheita, preparo e espiritualidade ligados ao alimento. Confira o vídeo   No projeto, os estudantes aprendem técnicas de agrofloresta que reproduzem o modo Guarani de manejar o território: plantios consorciados, respeito ao tempo da mata e uso das plantas conforme os ciclos naturais. A produção de alimentos não é apenas agrícola — é cosmológica. O alimento nasce em diálogo com a floresta, com os cantos e com o cuidado com Nhanderu, o criador. A criação de abelhas nativas sem ferrão, cujo mel é fundamental em rituais sagrados, também é ensinada como parte da formação. Para os Mbya, o mel é um alimento de cura, de conexão espiritual e de fortalecimento do corpo. ...

A COMIDA DE RUA COMO PATRIMÔNIO VIVO DE SALVADOR: A CONTRIBUIÇÃO DAS MULHERES NEGRAS E A PESQUISA DE CECÍLIA SOARES

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Baiana de Acarajé (1974)-University of Wisconsin Digital Collections) Jornal A Tarde destaca algumas fontes com mais informações sobre as vendedoras de rua (ganhadeiras) e a história delas, a partir do acervo do CEDOC / A TARDE Memória. A comida de rua é uma das expressões culturais mais potentes de Salvador — um patrimônio vivo moldado principalmente pelas mãos, trajetórias e resistências das mulheres negras. Tabuleiros, carrinhos e barracas que ocupam calçadas e praças há mais de dois séculos contam uma história que mistura sobrevivência, empreendedorismo e transmissão de saberes culinários ancestrais. Hoje, ao mesmo tempo em que alimentam a cidade, essas mulheres preservam práticas que se tornaram símbolo da identidade baiana. Comida de rua, em Salvador, não é apenas comércio: é memória, é cultura, é presença ancestral. A origem histórica das vendedoras de rua: trabalho, resistência e autonomia Segundo a historiadora e doutora em Antropologia Cecília Soares, professora da Universida...

A “COLONIZAÇÃO” DAS DIETAS TRADICIONAIS: COMO A BIG FOOD APROFUNDA A CRISE GLOBAL DOS SUPERPROCESSADOS

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Na foto Professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Monteiro-Pesquisadores pedem ação urgente contra avanço de ultraprocessados em nova série na Lancet Publicada nesta terça-feira, 18, na The Lancet — uma das revistas científicas mais influentes do mundo — uma série especial de três artigos reúne um consenso entre 43 pesquisadores de diversos países. Uma nova série de três artigos publicados em 19 de novembro de 2025 na revista The Lancet faz um alerta contundente: grandes corporações alimentícias transformaram os alimentos ultraprocessados (UPFs) em uma força hegemônica dos sistemas alimentares globais — e isso está redesenhando não apenas o que comemos, mas também a forma como pensamos sobre alimentação, cultura e políticas públicas.  Um choque cultural Do ponto de vista cultural, a série da Lancet ilumina algo profundo: a transição para ultraprocessados não é apenas uma mudança de cardápio, mas uma colonização dos hábitos alimentares. As re...

RAÍZES BANTU DO SAKA SAKA: HISTÓRIA DO PONDU E DA MANDIOCA NO CONGO

O Saka Saka, também chamado de Pondu, é um dos pratos mais simbólicos da culinária congolesa. Feito com folhas de mandioca, ele representa a força dos povos bantu e a inteligência culinária que transformou essa planta em alimento, identidade e resistência cultural. O PAPEL DE @ 2CGMCUISINE : UM RESGATE QUE VAI ALÉM DA RECEITA No contexto atual — de apagamento, homogeneização e ruptura cultural — vídeos como esse cumprem uma função essencial: preservar e difundir uma tecnologia alimentar profundamente africana. O que 2cgmcuisine faz é visibilizar uma prática que, historicamente, foi mantida pela oralidade e pela transmissão familiar. Ao registrar e compartilhar o processo, ele fortalece a memória, amplia o alcance e devolve ao Saka Saka o protagonismo que ele merece no cenário global da culinária. MANIÇOBA E SAKA SAKA: DUAS HISTÓRIAS, UM MESMO SABER AFROINDÍGENA Muito antes de atravessar o Atlântico e criar raízes na África Central, a mandioca já era uma planta sagrada entre os povos in...

NO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, IYÁ SÔNIA OLIVEIRA DESTACA A FORÇA DA CULINÁRIA AFRO-BRASILEIRA EM ARACAJU

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A culinária afro-brasileira é, antes de tudo, um ato de conexão com a ancestralidade e com uma história marcada pela resistência diante da violência racial.  É nesse sentido, somado à afetividade e às memórias familiares, que a Iyá Sônia Oliveira mantém o Yeyê Bistrô, projeto que integra o Descubra Aracaju, iniciativa fruto da parceria entre a Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal de Turismo (Setur), e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Sergipe (Fecomércio-SE). Todos os domingos, o bistrô ocupa a Praça Tobias Barreto. Aos 50 anos, Sônia é baiana de nascimento, mas sempre manteve forte ligação com Sergipe, terra natal de sua família. Mudou-se para Aracaju aos 17 anos para estudar e aqui permaneceu. Ela relembra que, ao chegar, o que mais a marcou foi o aspecto cultural. Ao longo dos anos, Sônia consolidou sua atuação na cidade, especialmente no enfrentamento ao racismo. Em 2024, recebeu o título de Cidadã Aracajuana, concedido pela Câmara Munici...

A HIERARQUIZAÇÃO DO SABER E DO SABOR

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"A linguagem é um campo de poder, longe de ser neutra. Ao adotar terminologias que dissonam da realidade factual das contribuições dos povos de matriz africana e originários, apagando os lexos próprios dessas culturas, nós endossamos um secular roubo cultural.  Dessa forma, tornamo-nos cúmplices do apagamento histórico imposto pelo imperialismo. A culinária, expressão máxima da cultura alimentar brasileira, é um testemunho claro desse processo." Chef Alicio Charoth  A afirmação de que "a linguagem não é neutra" é o alicerce para se compreender a dinâmica do poder cultural. Ela não é um simples veículo de comunicação, mas um artefato carregado de história, hierarquia e visão de mundo. Quando essa ferramenta é monopolizada por um grupo dominante, ela se torna um instrumento de ordenação do real—e, consequentemente, de exclusão. O "roubo cultural secular" a que o texto se refere não é um evento único, mas um processo contínuo e insidioso. Ele ocorre quando a ...