TASTE OF TRANSITION-MARLENE DA COSTA (SALVADOR)





Cozinheira dedicada à culinária afro-brasileira, Marlene atua na preservação de saberes ancestrais, especialmente aqueles vinculados ao candomblé e à tradição oral. Em diálogo direto com Vovó Cici, uma das grandes guardiãs desses conhecimentos, sua trajetória se constrói no território do respeito e da escuta.

É também coautora do livro Ajeum Bó: Histórias da Culinária Ancestral, onde receitas, itãs e vivências se entrelaçam como expressão viva das cozinhas de terreiro.

Aqui, comida não é produto —

é espiritualidade, memória e resistência.

Mas há um ponto que Marlene faz questão de afirmar sempre que se apresenta:

sua cozinha nasce no colo da sua avó.

Foi com ela que aprendeu os primeiros gestos, os tempos do fogo, o cuidado com os ingredientes — e, sobretudo, o saber das folhas. Muitas das receitas que hoje compartilha carregam essa origem, esse legado íntimo e profundo, onde o conhecimento não se escreve, se vive.

🏡 Quintal de Yayá

Mais do que um restaurante, o Quintal de Yayá é um território cultural. Um espaço onde, a cada jornada, se reafirma o compromisso com a ancestralidade, com o cuidado e com a boa comida.

É nesse chão que Marlene vem desenvolvendo receitas a partir de plantas alimentícias tradicionais, reafirmando o vínculo entre alimentação, território e saber popular.

🌍 Tastes of Transition

No Tastes of Transition, Marlene apresentou o Arroz de Haussá, evocando o legado dos povos mouros na Bahia e ampliando o olhar sobre a presença africana na formação da nossa culinária.

Sua participação não foi apenas uma apresentação — foi um gesto político e cultural:

colocar a culinária bantu-sudanesa e o patrimônio alimentar afro-baiano no centro do debate sobre o futuro dos sistemas alimentares.

Realizado por @LesGrandesTables – ICI Culture, em parceria com o Braço Social e com apoio da Embaixada da França no Brasil e do UMI Fund, o projeto chega à Bahia propondo encontros, demonstrações e imersões.

Mais do que um evento, o Tastes of Transition reafirma algo essencial:

a cultura alimentar é um patrimônio vivo.

E talvez o ponto mais potente seja esse:

as respostas para o futuro da alimentação não estão por vir — elas já existem.

Vivem nas cozinhas das comunidades, nos quintais, nos terreiros, nos saberes ancestrais da diáspora africana.

@charoth10

#ElCocineroLoko


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