🌿🌿SABERES QUE ALIMENTAM O FUTURO: O REGISTRO DAS TRADIÇÕES CULINÁRIAS COMO ATO DE SOBERANIA E DIGNIDADE
Durante o V Encontro das Mulheres da @TeiadosPovos da Bahia, realizado no Assentamento Terra Vista, um momento carregado de significado revelou a força da memória alimentar dos povos originários. As mulheres Tikmũ’ũn se reuniram para preparar alimentos tradicionais, retomando práticas e receitas herdadas dos antigos e que continuam sendo transmitidas às novas gerações.
Confira o vídeo
Entre elas estava Ilza Maxakali, viveirista de Pradinho, que enquanto pilava a mandioca narrava a importância daquele gesto. Mais do que um preparo culinário, tratava-se de um ato de continuidade cultural, de afirmação da identidade e de preservação de um conhecimento ancestral que atravessa o tempo.
Registrar momentos como esse é fundamental.
A culinária tradicional carrega muito mais do que ingredientes e técnicas: ela guarda histórias, modos de vida, relações com o território e formas próprias de compreender a natureza. Quando esses saberes são registrados, ganham força para resistir às pressões de um sistema alimentar que muitas vezes tenta padronizar e apagar as diversidades culturais.
Reencontrar e praticar as receitas tradicionais é também uma garantia concreta de soberania alimentar. Ao manter vivas suas formas próprias de produzir, preparar e compartilhar alimentos, povos indígenas e comunidades tradicionais reafirmam sua autonomia e seu direito de existir a partir de seus próprios valores.
Por isso, é importante agradecer à Teia dos Povos da Bahia e ao Encontro de Mulheres por proporcionarem esse espaço de partilha e por permitirem que esse momento fosse registrado. Iniciativas como essa mostram o quanto o encontro entre mulheres, territórios e saberes fortalece redes de cuidado e transmissão de conhecimento.
Esse tipo de registro também aponta um caminho importante para outras comunidades. As Mestras dos Saberes Culinários de territórios quilombolas e indígenas têm um papel fundamental na preservação da cultura alimentar. Documentar suas práticas, receitas e histórias não é apenas um exercício de memória — é um gesto político e cultural que valoriza o trabalho feminino historicamente ligado à alimentação.
São essas mulheres que guardam os modos de plantar, colher, transformar e compartilhar a comida. Ao registrar esses conhecimentos, elas reafirmam o valor de seus saberes e garantem que as próximas gerações possam continuar aprendendo com as mãos, com a terra e com a memória.
Em tempos em que muitos sistemas alimentares caminham para a homogeneização, cada receita reencontrada, cada técnica transmitida e cada história contada se tornam sementes de resistência.
E como nos lembram as mulheres Tikmũ’ũn naquele encontro, pilando a mandioca e preparando seus alimentos, cuidar da comida tradicional é também cuidar do futuro. 🌿
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