QUEM AUTORIZOU O DESMATAMENTO DA CAATINGA EM NOSSAS SERRAS? 🌵

Essa é a pergunta que precisa ser respondida.

Uma matéria que denuncia o desmatamento nas serras de Uibaí e Ibipeba já ultrapassou 10 mil visualizações e começa a gerar preocupação nas instituições que permitiram esse processo. Isso é importante — quando a sociedade acompanha e questiona, os impactos socioambientais não podem mais ser ignorados.

Confira o vídeo da @umbudeuibai

Mas precisamos ampliar essa mobilização.

👉🏽 Curta, comente e compartilhe para que essa denúncia chegue mais longe.

Na última quinta-feira, aconteceu um momento histórico: a Câmara Municipal de Uibaí ficou pequena para a multidão que participou da Plenária do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga.

A empresa #Statkraft, responsável pelo empreendimento, não compareceu ao debate público, demonstrando desprezo pelas preocupações socioambientais da região.

Também foi lamentada a ausência da prefeita de Uibaí e do prefeito de Ibipeba.

Após a plenária, a população saiu em caminhada até a Prefeitura de Uibaí, em uma manifestação com faixas, palavras de ordem e falas fortes de lideranças de vários municípios.

O protesto também questionou o papel do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA), responsável pelas licenças ambientais, e das prefeituras que concederam alvarás para o desmatamento.

Ao final, foi aprovada uma importante resolução em defesa da Caatinga, que será encaminhada ao Ministério Público, ao INEMA e às prefeituras do território.

O Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga é um espaço institucional e político criado para articular a proteção do bioma Caatinga, reunindo governo, universidades, organizações sociais e comunidades locais. Sua função principal é coordenar ações de conservação, pesquisa e desenvolvimento sustentável nos territórios do semiárido.  Secretaria da Economia · 1

Mas há um aspecto que muitas vezes aparece menos no debate público: a relação profunda entre Caatinga e cultura alimentar.

CULTURA ALIMENTAR DA CAATINGA 

1. A Caatinga não é apenas um bioma: é um território cultural

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, presente em grande parte do Nordeste e profundamente ligado à história das populações sertanejas, quilombolas e indígenas. 

Sema Ceará

Essas populações desenvolveram, ao longo de séculos, formas próprias de produzir, coletar e preparar alimentos, criando uma culinária adaptada às condições do semiárido.

Entre os alimentos tradicionais da Caatinga estão:

Umbu

Licuri

Mandacaru

Palma

Facheiro

Feijão de corda

Milho crioulo

Bode e carne de sol

Mel de abelha nativa

Essa culinária é resultado de conhecimento ecológico profundo, transmitido oralmente entre gerações.

2. Cultura alimentar como estratégia de convivência com o semiárido

A alimentação na Caatinga não nasce da abundância constante, mas da inteligência de conviver com a escassez.

As comunidades desenvolveram práticas como:

conservação de alimentos (carne de sol, charque, fumeiros)

uso de plantas resistentes à seca

coleta sazonal de frutos do mato

quintais produtivos adaptados ao clima

Isso revela que a culinária da Caatinga é também uma tecnologia cultural de sobrevivência.

3. A relação entre biodiversidade e alimentação

Quando a Caatinga é desmatada, não se perde apenas vegetação.

Perde-se também:

espécies alimentares

sementes crioulas

conhecimentos de coleta e preparo

sistemas de criação de animais adaptados ao sertão

Ou seja: a destruição do bioma significa também a destruição de uma cultura alimentar.

4. O papel do Comitê da Reserva da Biosfera

Dentro da lógica da Reserva da Biosfera, reconhecida pela UNESCO, a Caatinga deve ser protegida não só pela biodiversidade, mas também pelos saberes das populações que vivem no território.

Por isso, o comitê atua para:

promover conservação ambiental

articular políticas públicas para o semiárido

apoiar pesquisas científicas sobre o bioma

valorizar conhecimentos tradicionais

estimular modelos de desenvolvimento sustentável para as comunidades locais. 

Secretaria da Economia

5. Um ponto importante para o debate atual

Quando se fala em defender a Caatinga, não se trata apenas de proteger árvores ou paisagens.

Trata-se de proteger:

modos de vida

sistemas agrícolas tradicionais

culinárias regionais

memória cultural do sertão.

Ou seja: defender a Caatinga é também defender uma cultura alimentar ancestral.

🌿 Defender a Caatinga é defender a vida, a água e o futuro do nosso território.

Ajude essa mensagem a circular.

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@charoth10

#ElCocineroLoko 

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