NOVOS ZUNGUS: MULHERES NEGRAS, COZINHA E PODER NO BRASIL CONTEMPORÂNEO
A pesquisa desenvolvida pela antropóloga Debora Rios de Souza traz uma contribuição fundamental para compreender as relações entre cozinha, poder e protagonismo das mulheres negras no Brasil contemporâneo.
Em sua dissertação “Mulheres Negras em seus Novos Zungus: Cozinha e Poder no Rio de Janeiro Contemporâneo”, defendida no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro no âmbito do Programa de Pós‑Graduação em Antropologia Social da UFRJ, a pesquisadora investiga as trajetórias de cozinheiras negras que transformam a cozinha em espaço de autonomia, resistência e construção de comunidade.
O trabalho parte da ideia de “novos zungus” — uma referência histórica aos Zungus, que eram espaços de encontro, alimentação, abrigo e sociabilidade da população negra urbana. Esses lugares, muitas vezes conduzidos por mulheres, funcionavam como centros de apoio coletivo e resistência cultural diante da repressão e do racismo estrutural.
Na pesquisa de Debora Rios de Souza, esse conceito é retomado para compreender restaurantes, bares e cozinhas contemporâneas comandadas por mulheres negras no Rio de Janeiro, que operam não apenas como negócios, mas também como territórios de cultura, identidade e solidariedade. Durante a pandemia, muitos desses espaços surgiram ou se fortaleceram, reafirmando a cozinha como eixo de organização comunitária e de afirmação da cultura negra.
A autora demonstra que essas cozinheiras enfrentam múltiplas interseccionalidades de opressão — racismo, sexismo e desigualdade social — para alcançar reconhecimento profissional e autonomia financeira. Ao mesmo tempo, revela como a culinária se torna instrumento de memória, de transmissão de saberes e de construção de redes de apoio, recuperando princípios ancestrais presentes nos antigos zungus.
Mais do que um estudo sobre alimentação, a dissertação evidencia que a cozinha é um território político. Nela se articulam histórias familiares, estratégias de sobrevivência, empreendedorismo negro e processos de valorização cultural. Ao reconhecer essas mulheres como agentes centrais na construção de espaços de sociabilidade e identidade, a pesquisa contribui para ampliar o debate sobre cultura alimentar, raça e gênero no Brasil.
Atualmente, Debora Rios de Souza segue aprofundando esse campo de investigação no doutorado, integrando o Laboratório de Pesquisas em Etnicidade Cultura e Desenvolvimento (LACED), onde pesquisa a trajetória das cozinheiras escolares — as merendeiras — no estado do Rio de Janeiro, ampliando o olhar sobre o papel das mulheres negras na alimentação cotidiana e nas políticas públicas de comida.
🔗 Acesse o trabalho:
Ler “Mulheres Negras em seus Novos Zungus: Cozinha e Poder no Rio de Janeiro Contemporâneo”
@charoth10
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