NEGRA LU TRANSFORMA MEMÓRIA EM LIVRO DE RECEITAS


Em um tempo em que a culinária muitas vezes é apresentada como espetáculo ou luxo, iniciativas como a de Maria Lúcia Sousa, conhecida como Negra Lu, recolocam a comida no lugar de onde ela nunca deveria ter saído: o da memória, da sobrevivência e da partilha.
Quando uma mulher negra periférica decide registrar suas receitas, ela não está apenas escrevendo um livro de cozinha. Está afirmando a importância de saberes que durante muito tempo foram transmitidos apenas pela oralidade — nas cozinhas das casas, nas bancas de feira, nos quintais e nas ruas. São conhecimentos que sustentaram comunidades inteiras, mas que raramente foram reconhecidos como patrimônio cultural.
Ao transformar sua culinária afetiva em livro, Negra Lu também produz um gesto político e pedagógico. Ela mostra às novas gerações que os saberes da cozinha popular têm valor, que a comida do cotidiano carrega história e que mulheres negras sempre foram guardiãs de técnicas, sabores e formas de cuidado que estruturam a vida coletiva.
Mais do que um livro de receitas, o trabalho de Negra Lu se inscreve em um movimento maior de reconhecimento das cozinhas negras e populares como territórios de conhecimento, identidade e resistência.
A criadora de conteúdo e baiana de acarajé Maria Lúcia Sousa, conhecida nas redes como Negra Lu, acaba de lançar um livro reunindo receitas que nascem daquilo que ela chama de culinária afetiva — a comida feita com memória, cotidiano e história.

Moradora de Salvador, Negra Lu ganhou projeção nas redes sociais com vídeos simples e diretos, onde aparece preparando ou saboreando pratos populares da cozinha baiana: feijão, farinha, pimenta, mocotó, acarajé e outras comidas do dia a dia. O sucesso veio justamente da autenticidade: sua forma de falar da comida lembra as cozinhas de casa, as feiras e as ruas onde a tradição alimentar continua viva.

O livro E-book nasce desse mesmo espírito. Mais do que reunir receitas, a publicação registra saberes culinários transmitidos entre gerações, aqueles que muitas vezes não aparecem nos livros formais de culinária, mas que sustentam a cultura alimentar de um povo.

Negra Lu começou a gravar vídeos durante o período da pandemia, inicialmente como uma forma de se distrair. Com o tempo, sua espontaneidade e o jeito afetuoso de falar da comida conquistaram milhares de seguidores. Sua presença nas redes acabou se transformando também em uma forma de valorizar a cozinha popular e as tradições alimentares da Bahia.

O lançamento do livro marca um momento importante: transformar essas memórias e práticas em registro escrito, ampliando o reconhecimento de uma culinária que nasce do cotidiano — da panela no fogo, da conversa na cozinha e do prazer de comer junto.

Porque, no fundo, o que Negra Lu nos lembra é simples e poderoso:

cozinhar também é uma forma de contar histórias.

https://www.instagram.com/reel/DVrsf6EDRCz/?igsh=MXF1czk3bGNvYWVqeQ==

☝Veja no vídeo como obter seu exemplar



@charoth10

#ElCocineroLoko 


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