EDISON CARNEIRO: PIONEIRO DA ANTROPOLOGIA E ALIMENTAÇÃO DE MATRIZ AFRICANA GANHA MURAL EM MUSEU DE FOLCLORE
Intelectual e militante comunista, Carneiro é representado no painel como Exu, figura central nas tradições afro-brasileiras, simbolizando seu caráter em movimento e sua ligação profunda com saberes populares.
Desde muito jovem, Edison percorreu ruas, subúrbios e territórios negros de Salvador, observando terreiros, bairros populares e as múltiplas “Áfricas” urbanas. Ainda na adolescência, publicava poesias, crônicas e contos na imprensa e participou da fundação da Academia dos Rebeldes. Admirador de Manuel Querino, precursor nos estudos da cultura negra, manteve diálogo e amizade com figuras centrais da cultura brasileira, como Jorge Amado, Carybé e Pierre Verger.
Intelectual ogã e militante do PCB, Edison Carneiro defendeu e valorizou os saberes das religiões afro-brasileiras, enfrentando o racismo e o silenciamento institucional. Organizou o II Congresso Afro-Brasileiro em Salvador, participou do I Congresso no Recife e colaborou na criação da União das Seitas Afro-Brasileiras. Sua atuação na imprensa e nos estudos acadêmicos consolidou a importância das expressões culturais negras, desde as rodas de samba às congadas, dos reisados ao maracatu, do bumba-meu-boi às festas do povo.
Além de sua contribuição ao folclore e à etnologia, Carneiro teve papel fundamental na antropologia alimentar brasileira, documentando práticas culinárias, uso de plantas e ingredientes tradicionais, e revelando a comida como expressão de memória cultural, identidade e religiosidade. Sua pesquisa enfatizou a alimentação como patrimônio cultural vivo, inseparável da vida social e das tradições afro-brasileiras.
Autor de vasta obra dedicada à cultura popular, foi um dos idealizadores e diretor do Museu Nacional do Folclore entre 1961 e 1964, contribuindo decisivamente para a legitimação e institucionalização das manifestações culturais brasileiras.
Na mesma ocasião, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) assinam um protocolo de intenções para viabilizar a futura cessão de uso de uma área nos jardins do Museu da República, destinada à nova reserva técnica do Museu de Folclore. Com mais de 20 mil itens, o acervo é considerado o maior de cultura popular do país. O novo prédio, projetado para abrigar essa coleção, terá 834 m², quase o dobro do espaço atualmente disponível.
O legado de Edison Carneiro permanece como referência ética, intelectual e política na valorização da cultura negra, popular e alimentar do Brasil, inspirando novas gerações a observar, preservar e celebrar os saberes tradicionais.
📚 Fontes e referências sobre Edison Carneiro
Biografia e atuação geral
Edison de Souza Carneiro foi um etnólogo, folclorista e intelectual brasileiro, especializado em cultura afro‑brasileira e folclore. Ele começou a estudar os cultos afro‑brasileiros já nos anos 1930 e se tornou referência nos estudos dessas tradições no país. �
Wikipédia
Sua atuação combina pesquisa etnográfica, escrita e ativismo — incluindo defesa da liberdade religiosa para candomblé e outras tradições afro‑brasileiras. �
Vozes negras na Antropologia
Importância nos estudos culturais e antropológicos
Carneiro foi uma das principais vozes no movimento folclórico brasileiro do século XX, tendo apoiado a criação do Museu do Folclore e sido diretor da Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, órgão precursor do atual Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular. �
OpenEdition Journals
Sua obra A sabedoria popular, e outras publicações, abordam práticas culturais como samba, batuque, capoeira e costumes populares — implicando a alimentação como parte integrante desses modos de vida e tradições. �
Livraria à Mancheia
Estudos acadêmicos que discutem sua abordagem
Pesquisas contemporâneas destacam a importância de sua experiência etnográfica nos terreiros e seu papel na construção dos estudos brasileiros sobre folclore e cultura popular — um campo que se entrelaça com antropologia e história social.
@charoth10

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