DIA INTERNACIONAL DA ALIMENTAÇÃO ESCOLAR: VOCÊ CONHECE AS CINCO ORIENTAÇÕES PARA FORTALECER A ALIMENTAÇÃO NAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS?

No Brasil, essa política tem como principal instrumento o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), considerado uma das iniciativas públicas mais importantes do país na área de alimentação e educação. O programa assegura recursos para a merenda de estudantes da rede pública e estabelece diretrizes que articulam nutrição, educação alimentar e o fortalecimento da agricultura familiar.

Mas a alimentação escolar vai além da dimensão nutricional. Cada vez mais especialistas e movimentos sociais defendem que os cardápios escolares devem dialogar com os territórios, reconhecendo culturas alimentares locais, modos tradicionais de produção e saberes transmitidos entre gerações. Quando isso acontece, a escola deixa de ser apenas um espaço de distribuição de refeições e passa a ser também um lugar de valorização cultural e de fortalecimento das economias locais.

É nesse contexto que surge o documento “Alimentação Escolar Quilombola: orientações a partir das experiências e narrativas dos quilombos e das escolas”, elaborado pelo grupo de pesquisa e extensão Culinafro UFRJ, com apoio do Instituto Ibirapitanga.

O material reúne experiências e reflexões construídas diretamente em territórios quilombolas e propõe caminhos para uma alimentação escolar culturalmente adequada e alinhada às tradições dessas comunidades.

Mas uma pergunta importante surge nesse debate: você conhece as cinco orientações centrais apresentadas nesse documento?

Entre os pontos destacados estão:

• a importância do cadastro das escolas quilombolas no Censo Escolar, garantindo repasse diferenciado de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação;

• a valorização da cultura alimentar local, com a participação das mestras e cozinheiras da comunidade na construção dos cardápios;

• o fortalecimento da agricultura familiar, já que pelo menos 45 % dos recursos do PNAE devem ser destinados à compra de alimentos de produtores locais;

• a integração da educação alimentar ao cotidiano da escola, conectando sala de aula, quintal, roça e natureza;

• e a compreensão de que não existe alimentação saudável sem soberania alimentar e defesa do território, incluindo o acesso à terra e à água.

As orientações reforçam que os quilombos são territórios de memória, resistência e produção de conhecimento. Ao reconhecer esses sistemas alimentares, a alimentação escolar pode se tornar uma ferramenta poderosa para combater a insegurança alimentar, fortalecer identidades culturais e ampliar a autonomia das comunidades.

Diante disso, o Dia Internacional da Alimentação Escolar não é apenas uma data comemorativa. É também um convite para repensar o papel da comida nas escolas e perguntar: que alimentação estamos oferecendo às novas gerações — e a quais territórios ela está conectada? 🍲🌱📚



@charoth10

#ElCocineroLoko 

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