CULTURA DO FAST FOOD AMEAÇA SISTEMA ALIMENTAR DA NIGÉRIA, ALERTA ATIVISTA
O ativista ambiental e defensor da soberania alimentar Nnimmo Bassey fez um alerta contundente sobre os impactos da expansão da cultura do fast food e das políticas alimentares globais na Nigéria.Segundo ele, o avanço dos alimentos ultraprocessados representa uma ameaça direta não apenas à saúde pública, mas também à identidade cultural e à segurança alimentar do país.
A declaração foi feita durante a Academia de Sustentabilidade, em uma palestra sobre Alimentação, Poder e a Política da Fome, onde Bassey destacou que a alimentação, nas sociedades africanas, vai muito além do sustento biológico. “A comida é parte essencial da identidade, das relações sociais e das tradições”, afirmou.
Ele ressaltou que as dietas tradicionais nigerianas, construídas ao longo de gerações, refletem a diversidade étnica do país e sempre desempenharam um papel central na coesão comunitária. No entanto, esse sistema vem sendo progressivamente fragilizado por processos históricos como o colonialismo, as dinâmicas do comércio global e conflitos internos.
Bassey apontou a Guerra Civil da Nigéria como um marco decisivo nesse processo, quando a comida passou a ser utilizada como instrumento de guerra, provocando desnutrição em larga escala e alterando hábitos alimentares, especialmente na região leste do país.
Hoje, segundo ele, o desafio assume novas formas. A rápida expansão das redes de fast food, associada ao ritmo acelerado da vida urbana, estimula padrões de consumo baseados na conveniência e na gratificação imediata. O ativista critica ainda as estratégias dessas redes, que utilizam estímulos sensoriais — como iluminação intensa, música alta e excesso de estímulos visuais — para influenciar o comportamento do consumidor e desviar a atenção da qualidade nutricional dos alimentos.
Outro ponto de preocupação é a crescente introdução de organismos geneticamente modificados (OGMs) no sistema alimentar nigeriano. Bassey alerta que esses produtos muitas vezes são incorporados sem avaliações rigorosas, podendo gerar impactos duradouros tanto para a saúde quanto para o meio ambiente.
Ele também chama atenção para o papel simbólico das lideranças políticas, que, ao consumirem publicamente alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, acabam legitimando esses padrões de consumo.
No centro de sua crítica está o conceito de “colonialismo alimentar” — um sistema em que interesses econômicos globais, pressões financeiras e influências culturais moldam os hábitos alimentares locais, favorecendo grandes corporações em detrimento da agricultura tradicional.
Como alternativa, Bassey defende a descolonização dos sistemas alimentares africanos, com ênfase na valorização dos alimentos locais, na preservação das sementes tradicionais e no fortalecimento da agricultura de base comunitária.
Ele também questiona a narrativa dominante sobre a fome, frequentemente associada à baixa produtividade. Para o ativista, o problema central está na desigualdade estrutural: falhas na distribuição, desperdício de alimentos e políticas públicas inadequadas.
O debate encerrou com um chamado por reformas urgentes que promovam justiça, resiliência e sustentabilidade nos sistemas alimentares, priorizando o apoio aos pequenos agricultores e enfrentando as raízes estruturais da insegurança alimentar.
@charoth10
#ElCocineroLoko
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