COMO O TURISMO INDÍGENA E QUILOMBOLA FORTALECE O TERRITÓRIO
Habitantes históricos dos pampas que hoje compreendem o sul do Brasil, o Uruguai e a Argentina, muitos Charrua sobreviveram à violência e ao apagamento. Parte desses grupos cruzou a fronteira e se estabeleceu na região das Missões, no Rio Grande do Sul, preservando vínculos de parentesco, memória e território.
Hoje, essa história de resistência ganha novos caminhos. Em Porto Alegre, na aldeia Polidoro, a comunidade Charrua tem encontrado no turismo de base comunitária uma forma de reafirmar sua existência. Sob a liderança de Acuab, de 71 anos, primeira mulher cacica-geral do povo, as atividades realizadas no território vão além do turismo convencional.
Segundo a comunidade, o que se pratica ali não é turismo de lazer, mas um turismo de acolhida e “Sepé”, palavra que remete a caminho, luz e orientação espiritual. As vivências oferecidas aos visitantes procuram compartilhar história, cultura e modos de vida, ao mesmo tempo em que fortalecem o processo coletivo de retomada identitária do povo Charrua.
Organizadas semanalmente, as atividades são conduzidas de forma comunitária. Os recursos arrecadados alimentam um fundo comum destinado ao sustento das famílias e à manutenção das estruturas coletivas da aldeia. O modelo estabelece limites claros para evitar a exploração cultural e garante que a própria comunidade conduza a narrativa sobre sua história.
Mais do que uma atividade econômica, a iniciativa revela a força do turismo de base comunitária como estratégia de resistência cultural. Em territórios indígenas e quilombolas, esse modelo tem se mostrado uma ferramenta importante para fortalecer identidades, gerar renda e aproximar as novas gerações de suas próprias tradições.
Mesmo com reconhecimento institucional, os Charrua destacam que ainda faltam políticas públicas e apoio financeiro para garantir a sustentabilidade dessas iniciativas. Ainda assim, seguem firmes em seu propósito: mostrar que a palavra “extinto” nunca foi capaz de apagar um povo que continua vivo em sua memória, em seu território e em seus caminhos de futuro.
📎 A matéria completa foi publicada pelo Nexo Jornal e aborda experiências de turismo comunitário em territórios indígenas e quilombolas no Brasil.
👉 Leia os detalhes na matéria do @nexojornal: https://www.nexojornal.com.br/externo/2026/02/28/turismo-indigena-quilombola-territorios-no-brasil-resistencia

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