COMIDA EM MOVIMENTO: CULTURA, HISTÓRIA E ARTE

A comida sempre foi mais que sustento: é cultura, memória e expressão criativa. Ainda assim, a sociedade frequentemente a enxerga apenas como nutrição ou serviço. Diferentes pesquisadores chamam atenção para esse hiato.

No programa Eating the Archive: Flatbread as Embodied Histories, o artista @SameerFarooq e a pesquisadora @NaomiDuguid mostraram como o pão sírio é uma linguagem que conecta histórias, migrações e experiências coletivas, um programa que convidou participantes a explorar o pão sírio como memória viva, processo cultural e expressão artística.

Cada flatbread compartilhado pelos participantes traz consigo resiliência, memória e invenção — lembrando que cozinhar é um ato criativo que mobiliza tradição e inovação ao mesmo tempo. 

A Flatbread Library transforma a cidade em um mapa vivo, feito de padarias, receitas e pessoas, mostrando que alimentar é também criar, contar e celebrar a convivência.

No fundo, a culinária nos lembra que arte e cultura se materializam no prato, e que cada alimento é um registro de histórias, encontros e criatividade compartilhada.

Naomi Duguid é reconhecida internacionalmente por seu trabalho de documentação culinária e cultural, mapeando tradições alimentares e histórias da diáspora ao redor do mundo, combinando pesquisa, narrativa e fotografia para revelar as conexões entre comida, identidade e território.

Sameer Farooq é artista e pesquisador que trabalha com instalação, escultura e projetos participativos, investigando como arte e comida podem traduzir histórias de migração, memória e convivência. Em Flatbread Library, ele transforma a cidade de Toronto em um mapa vivo, feito de pães de diversas padarias, mostrando a criatividade e a resiliência das comunidades migrantes.

O projeto permitiu que os participantes ouvissem e compartilhassem histórias, experimentassem uma variedade de flatbreads da diáspora na Grande Toronto (GTA) e percebessem como a comida funciona como uma linguagem que conecta pessoas, culturas e gerações.

Em resumo: a culinária como arte ainda não despertou plenamente para a consciência coletiva porque desafia categorias rígidas — ela é efêmera, viva, participativa e muitas vezes feita “fora dos museus”. Para reconhecê-la, seria preciso ampliar o conceito de arte, incluindo práticas que transformam o cotidiano, celebram a cultura e envolvem experiências sensoriais compartilhadas.

@charoth10

#ElCocineroLoko 



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