Não é apenas a ilha que se estremece sob o peso da história; são as mãos calejadas de quem ainda planta, colhe e sustenta sua própria vida, é o sorriso contido de quem aprende desde cedo que liberdade não se dá, conquista-se, mesmo quando parece só uma palavra no vento.

O difícil não é apenas sobreviver, mas resistir — resistir sendo gente inteira, sendo memória viva, sendo história que não quer se apagar.

Como diz o escritor cubano Leonardo Padura Fuentes, “em Cuba não nos resta mais remédio que incorporar a miséria à vida e calar” — uma frase dura, mas que revela a maneira com que a vida cotidiana se mistura à sobrevivência e ao silêncio forçado pelo medo e pela falta de alternativas.

E eu choro porque Cuba nos ensina que a coragem pode ser silenciosa, que o gesto de dividir um pão ou uma história vale mais do que qualquer manchete, que a cultura, a música, a comida, o afeto, são armas contra o esquecimento.

Cuba dói e encanta ao mesmo tempo. 

A ilha que canta, que luta, que ama, que se perde e se reencontra em cada geração. E eu choro porque mesmo na dificuldade, mesmo no medo, há uma poesia viva, uma resistência que não cabe em notícias nem em discursos, mas pulsa forte na alma de quem se recusa a desistir.

Não é só o embargo de uma ilha, nem os bloqueios que tentam frear o ritmo da vida ali. É a persistência de um povo que planta, colhe, cozinha e celebra cada gesto como resistência. É a memória viva que se recusa a se apagar, o sorriso que desafia as dificuldades e a dignidade que se mantém mesmo quando tudo parece em suspenso.


#ElCocineroLoko

Comments

Popular posts from this blog

MARLI BRITO E O PULSAR BAIANO NO SÃO VICENTE

OFICINA SOTOKO EM GENEBRA: OBSERVAÇÕES ANALÍTICAS SOBRE CULTURA ALIMENTAR E DIVERSIDADE