DOCUMENTÁRIO “RAIZ DE MARÉ” LANÇA LUZ SOBRE A ATUAÇÃO DE MULHERES TUPINAMBÁ NO SUL DA BAHIA
Mulheres-tupinamba-O documentário “Raiz de MarÉ – De água a água” amplia o olhar sobre o território do Território Tupinambá de Olivença, situado no Litoral Sul da Bahia, e revela como as águas — do mar aos rios — estruturam não apenas a economia local, mas a espiritualidade, a organização social e a transmissão de saberes entre gerações.
🌊 Território e ancestralidade
O povo Tupinambá de Olivença tem uma longa trajetória de resistência, marcada pela luta pela demarcação de suas terras e pela defesa da Mata Atlântica. Nesse contexto, o filme evidencia como o território não é apenas espaço físico, mas corpo vivo — lugar de memória, alimento, cura e pertencimento.
A pesca artesanal e a mariscagem aparecem como tecnologias ancestrais que combinam conhecimento ecológico profundo, leitura das marés, respeito aos ciclos da natureza e organização coletiva. São práticas que garantem sustento, mas também fortalecem vínculos comunitários e identitários.
👩🏾🦱 Protagonismo feminino
O documentário dá centralidade às trajetórias de:
Ana Liz Tupinambá
Ana Maria Oliveira de Almeida
Vilma Serqueira da Silva
Eliana Batista dos Santos
Raimunda Guedes Alves
Cada uma representa uma dimensão da luta cotidiana:
a defesa do território,
o enfrentamento ao racismo e ao patriarcado,
a transmissão de saberes tradicionais,
a organização política das mulheres,
e o cuidado com as futuras gerações.
Ana Liz Tupinambá, jovem liderança, mulher travesti e educadora, atua como fio condutor da narrativa, costurando passado e presente. Sua presença amplia o debate sobre equidade de gênero dentro dos territórios tradicionais, trazendo a dimensão da diversidade e da inclusão para o centro da conversa.
🌱 Meio ambiente e justiça social
“Raiz de MarÉ – De água a água” também dialoga com debates contemporâneos sobre justiça ambiental. As mulheres retratadas são guardiãs das águas e das matas — não por metáfora, mas por prática cotidiana. São elas que percebem primeiro as mudanças nas marés, a escassez de espécies, os impactos da poluição e das pressões externas sobre o território.
O filme evidencia que a preservação ambiental, para essas mulheres, não é uma pauta abstrata: é condição de sobrevivência física, cultural e espiritual.
🐚 Cultura popular e transmissão de saberes
Além da pesca e da mariscagem, o documentário registra:
cantos e memórias orais,
práticas artesanais,
culinária tradicional ligada ao mar e ao mangue,
formas coletivas de organização comunitária.
A oralidade aparece como ferramenta de resistência, mantendo viva a história que muitas vezes não foi registrada nos livros oficiais.-sul-da-bahia
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