CANTINAS ESCOLARES PODEM PROIBIR ULTRAPROCESSADOS E REFORÇAR A CULTURA ALIMENTAR BRASILEIRA
Tá aí uma ótima notícia para quem entende que alimentação não é só nutriente — é cultura, memória e formação de hábitos. A proposta de proibir alimentos ultraprocessados nas cantinas escolares recoloca a comida no lugar de cuidado, educação e responsabilidade coletiva. A escola, além de ensinar conteúdos, também ensina a comer, a reconhecer alimentos de verdade e a valorizar preparos que fazem parte das tradições alimentares do território.
Reduzir a presença de produtos ultraprocessados e abrir espaço para comidas feitas de ingredientes reais é um passo importante não só para a saúde das crianças, mas para fortalecer a cultura alimentar e reconstruir a relação das novas gerações com a comida de verdade.
O texto aprovado, que agora segue para análise nas comissões de Educação (CE) e de Assuntos Sociais (CAS), foi preparado pela senadora Mara Gabrilli (PSD-SP). No relatório, ela afirma que o ambiente escolar, como espaço educativo, tem papel central na promoção da alimentação adequada e pode contribuir para estabelecer hábitos nutricionais benéficos para os estudantes. Com essa visão, produtos com alto grau de nocividade à saúde não devem ser colocados no mercado de consumo dentro das escolas.
Senado Federal
O projeto mira diretamente alimentos que hoje predominam nas cantinas — como salgadinhos de pacote, chocolates, bolos industrializados, sorvetes e bebidas açucaradas — produtos cujo padrão de processamento e composição nutricional tem sido associado a riscos à saúde infantil e juvenil. Especialistas afirmam que a retirada desses alimentos de ambientes escolares pode reduzir o consumo diário desses itens e contribuir para a prevenção de obesidade e outras doenças crônicas desde cedo.
Jornal de Brasília
Para substituir os ultraprocessados, o texto prevê que as escolas priorizem alimentos in natura e minimamente processados, preparados de maneira a respeitar tradições culturais e a diversidade alimentar local, com ênfase na sociobiodiversidade — conceito que valoriza frutas, legumes, sementes, pães caseiros e preparos culinários regionais.
Senado Federal
Especialistas e defensores da alimentação saudável vêm destacando que a escola pode ser um espaço de educação alimentar, onde as escolhas se articulam não apenas a nutrientes, mas também a histórias de comida, memórias familiares e costumes alimentares. A restrição a produtos ultraprocessados está alinhada a uma visão que vai além da mera nutrição técnica: é uma tentativa de resgatar modos de comer que dialoguem com culturas locais e práticas culinárias tradicionais, e ao mesmo tempo reforcem a importância de alimentos verdadeiros na dieta das crianças.
Serviços e Informações do Brasil
A proposta também determina que, no mínimo, uma opção de alimento e uma opção de bebida saudáveis sejam disponibilizadas em todas as escolas, inclusive para estudantes com necessidades alimentares especiais, como diabetes ou intolerâncias. A fiscalização do cumprimento das regras seria feita pela Vigilância Sanitária em parceria com associações de pais e mestres e conselhos de alimentação escolar.
Senado Federal
A discussão segue em Brasília, com a perspectiva de que o debate se aprofunde em audiência pública na Comissão de Educação antes da análise final — um processo que pode ampliar a participação de nutricionistas, educadores e comunidades tradicionais no desenho da política de alimentação escolar.
Fonte: Agência Senado
@charoth10

Comments
Post a Comment