O QUE PARECE PERDA PODE SER VIRADA DE CHAVE.

O acordo entre Mercosul e União Europeia, ao proteger denominações como Presunto de Parma, Mortadela de Bolonha e Queijo Feta, acende um alerta — mas também abre uma possibilidade histórica: aprender a nomear e valorizar o que é nosso.

Se por um lado não poderemos mais usar certos nomes europeus, por outro o Mercosul garantiu a proteção de 224 produtos de seus territórios, entre eles a cachaça, o Queijo Canastra, o Serro, cafés, vinhos e saberes profundamente ligados ao chão, ao clima e às mãos que produzem.

A Europa entendeu há décadas que território é valor. Que nomear um alimento é contar uma história, proteger um modo de fazer e criar economia a partir da identidade. Talvez o que esteja em jogo agora não seja perder nomes importados, mas parar de depender deles.

Esse movimento pode nos empurrar — finalmente — a sair da lógica do “tipo”, do “estilo”, da cópia, e investir em denominações próprias, narrativas próprias, cadeias curtas, reconhecimento dos mestres e mestras do saber alimentar.

A boa notícia é essa:

quando o nome deixa de ser emprestado, o território é obrigado a falar.

E quando o território fala, a comida deixa de ser commodity e volta a ser cultura, memória e soberania.

Talvez o acordo não seja só sobre comércio.

Talvez seja sobre aprender a dizer quem somos à mesa.

1️⃣ O NOME COMO HISTÓRIA

Quando dizemos “cachaça”, “queijo Canastra” ou “azeite de dendê da Bahia”, não estamos só identificando um produto: estamos contando uma história.

Solo, clima, recursos hídricos, mão de obra local

Técnicas tradicionais que atravessam gerações

Memórias afetivas e culturais da comunidade

O acordo nos força a não depender de nomes europeus, mas nos dá uma oportunidade rara: nomear o nosso próprio território. Aqui, nome = história = valor simbólico.

2️⃣ DA COMMODITY À MEMÓRIA

Produtos globais padronizados são commodities: podem ser trocados, replicados, despersonalizados.

Quando o território fala, eles se tornam únicos.

Cada cachaça artesanal ou queijo de roça tem uma assinatura invisível que não se compra nem se copia.

A comida volta a ser cultura viva, não só mercadoria.

Isso muda a lógica de mercado: não é competir com preço, é competir com autenticidade.

3️⃣ SOBERANIA ALIMENTAR

Ao proteger nossos nomes e histórias, estamos reforçando a soberania alimentar:

Quem decide o que é original e valioso somos nós, comunidades e produtores locais

Isso fortalece redes de produção local e práticas sustentáveis

Valoriza o conhecimento tradicional e ancestral, sobretudo feminino e comunitário

4️⃣ UM CONVITE À REFLEXÃO

Talvez o acordo seja, acima de tudo, um convite:

A repensar a relação entre comida e identidade

A transformar território em marca viva

A afirmar que comer é também um ato político e cultural


https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2026/01/14/acordo-mercosul-ue-veja-produtos-que-terao-de-mudar-de-nome.htm


@charoth10


#Elcocineroloko


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