RAÍZES SUSTENTÁVEIS DA CULINÁRIA BAIANA GANHAM DESTAQUE APÓS MOQUECA ENTRAR NO RANKING TASTEATLAS 2026
Moqueca baiana, um dos pratos mais emblemáticos da culinária tradicional da Bahia, foi reconhecida pelo guia global TasteAtlas 2026, conquistando a 98ª posição entre os melhores pratos do mundo.
No mesmo levantamento — baseado em mais de 590 mil avaliações de 18 mil receitas de diferentes culturas —, a culinária brasileira alcançou o 17º lugar no ranking das melhores cozinhas do planeta, reforçando a relevância internacional dos saberes culinários do país, mesmo com leve queda em relação a 2025.
Mais que uma celebração gastronômica, esse reconhecimento coloca em evidência as raízes sustentáveis da culinária baiana, forjadas no encontro entre povos indígenas, africanos e europeus, que construíram um modelo de alimentação profundamente conectado ao território, à sazonalidade e aos sistemas tradicionais de produção.
A base da moqueca — peixes artesanais de pequena escala, leite de coco fresco, dendê, camarão seco e defumado, as pimentas, o coentro e o gengibre, cebola e tomate — revela uma cadeia alimentar de baixo impacto ambiental, fundamentada em técnicas herdadas de quilombos, marisqueiras, pescadores e agricultoras familiares.
O preparo respeita o tempo do fogo e valoriza ingredientes que nascem nos quintais produtivos, nas roças de beira de rio e nos manguezais, territórios onde a comida é também expressão de modo de vida e resistência cultural.
Nesse contexto, a culinária tradicional da Bahia não se resume ao prato final. Ela integra um sistema alimentar sustentável, sustentado por:
Pesca artesanal e mariscagem comunitária, que preservam estoques naturais e conhecimentos de manejo ancestral;
Cultivo agroecológico de ervas, pimentas, frutas e coco em quintais históricos;
Uso integral dos alimentos, reduzindo desperdícios;
Saberes orais transmitidos por gerações, sobretudo por mulheres negras, guardiãs da memória alimentar brasileira.
O reconhecimento internacional da moqueca também dialoga com uma tendência global de valorização das cozinhas de origem, que reposiciona culturas alimentares locais como patrimônio vivo, capaz de articular turismo responsável, economia circular e educação ambiental. Porém, especialistas alertam para o risco de que esse prestígio seja absorvido apenas pelo mercado gourmet, esvaziando o sentido comunitário que sustenta esses pratos.
Celebrar a moqueca como um dos melhores pratos do mundo deve significar, portanto, ir além do título: é reafirmar a importância de proteger os territórios tradicionais, as cadeias produtivas locais e as mestras e mestres da culinária que garantem a continuidade desses saberes.
A verdadeira força da culinária baiana está na sustentabilidade cultural e ecológica que mantém viva a ancestralidade à mesa — um patrimônio que não se mede apenas em rankings, mas na capacidade de alimentar corpos, memórias e identidades.
Chef Alicio Charoth
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@charoth10
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