Como nos lembra Frantz Fanon, o colonialismo não é apenas um sistema econômico ou político, mas uma estrutura que se infiltra na cultura, no pensamento e na linguagem, naturalizando hierarquias e desigualdades. Tornar visível o colonizador não é legitimá-lo, mas desmontar o mito de neutralidade que sustenta sua narrativa.
Achille Mbembe reforça que o poder colonial opera pela gestão da memória: decide o que deve ser lembrado e o que deve ser esquecido. Evidenciar suas marcas é um gesto político de enfrentamento, pois expõe a violência constitutiva que foi convertida em norma.
Walter Benjamin alerta que todo monumento de civilização é também um monumento de barbárie. Reconhecer essa tensão é recusar leituras edulcoradas da história e assumir que o progresso celebrado por alguns foi, para muitos, expropriação, morte e silenciamento.
Portanto, nomear o colonizador, expor suas estratégias e revelar sua lógica partidária não é um exercício de ressentimento, mas de lucidez histórica. É somente encarando essas marcas — sem estetização nem apagamento — que se torna possível construir narrativas verdadeiramente emancipatórias.
@charoth10
#elcocineroloko
Não se apagam as marcas da violência histórica ocultando a presença do colonizador.
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