MÃE BERNADETE PRESENTE: O TERRITÓRIO RECONHECIDO, A LUTA QUE NÃO SE APAGOU
O processo que agora resulta no reconhecimento das terras de Pitanga de Palmares teve início em 2008. São quase duas décadas de enfrentamentos burocráticos, silêncios institucionais e resistências cotidianas. Durante esse tempo, Mãe Bernadete foi uma das vozes que insistiram: sem território não há quilombo; sem terra não há futuro.
A área reconhecida, com 10,1621 hectares, integra o imóvel conhecido como Fazenda São José. Parte dela — cerca de 2,5 hectares — corresponde a áreas residuais identificadas como possivelmente devolutas do Estado da Bahia, que agora serão objeto de um procedimento específico de discriminação de terras em parceria com a Superintendência de Desenvolvimento Agrário (SDA). Cada linha técnica desse processo carrega, ainda que o Estado não o admita, o custo humano da demora.
O reconhecimento chega após a morte de quem mais o defendeu em vida. Essa é uma ferida aberta na história recente do país. Mas também é prova de que a luta de Mãe Bernadete não foi em vão. Seu nome está inscrito nesse território não por decreto, mas por pertencimento ancestral, por coragem política e por compromisso coletivo.
Homenagear Mãe Bernadete é afirmar que território é memória viva, é proteção, é continuidade. É dizer que a segurança jurídica que hoje se anuncia deveria ter vindo antes, como forma de preservar vidas — e não apenas reconhecer direitos após o sangue derramado.
Que Pitanga de Palmares siga existindo como território negro, quilombola e vivo.
Que Mãe Bernadete seja lembrada não apenas como vítima da violência, mas como guardadora do território, defensora da floresta e símbolo da luta quilombola contemporânea.
Mãe Bernadete, presente.
Hoje, amanhã e enquanto houver quilombo.
#elcocineoloko
@charoth10






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