QUANDO AS PLANTAS FALAM DA DIÁSPORA
Um verdadeiro encontro de continentes pela comida — como disse @elikiah_agnala, o Soso ya mwamba é mais que um prato, é uma viagem, nesse vídeo.
E quando essa viagem encontra o eru e chega à Bahia, abre-se uma nova camada de entendimento: a culinária como ponte, como trilha de saberes que se reconhecem.
O estudo sobre as Plantas Alimentícias Tradicionais na Diáspora Afro-Atlântica mostra que essas conexões não são coincidência — elas são memórias profundas.
E, quanto mais mergulho nesse tema, mais percebo que ele atravessa não apenas os territórios, mas também a mim, a nós, nossas pesquisas e nossas histórias.
Essa investigação tem me revelado algo essencial: o que chamamos de “tradição” é uma tecnologia viva. É memória em movimento. É prática que se reinventa sem perder suas raízes.
E, ao entrar em contato com essas plantas e suas narrativas, compreendo que estou lidando com muito mais do que ingredientes — estou tocando memórias que sobreviveram a naufrágios, rupturas e deslocamentos forçados.
Essas plantas — e os saberes que as acompanham — nos mostram que a Diáspora não é apenas dor. É também engenho, criatividade, transmissão e partilha.
É a prova de que, mesmo atravessando oceanos, nossas comunidades encontraram formas de continuar sendo, continuar cozinhando, continuar pertencendo.
Cada folha, cada raiz, cada gesto de cozinha é um elo que nos reconecta.
E quanto mais estudo, investigo, converso, escuto e vivencio, mais percebo que não há fronteira capaz de separar o que foi plantado nos corpos e na memória coletiva.
É por isso que essas conexões são significativas: elas ampliam nosso entendimento, nos devolvem profundidade e nos lembram que a nossa pesquisa também é feita de encontros, afetos e descobertas que nos transformam.
Séculos de deslocamento forçado criaram diálogos silenciosos entre folhas, técnicas e sabores.
"A Fumbwa é um dos alimentos básicos em Kongo Central, mas também é um dos produtos florestais que correm o risco de desaparecer", explica Bueno Ngenga Thomas, coordenador da Iniciativa Rural para o Desenvolvimento Integrado (IRDI).
Quando @elikiah_agnala fala da textura, da intensidade da folha africana, algo se acende também na Bahia, onde o uso das folhas — de quintal, de roçado — segue como prática viva.
Quando você prepara Soso ya mwamba e sente esse parentesco com o eru, o entendimento se expande: a culinária é um território de encontro, onde povos distantes reconhecem uns aos outros.
O fumbwa no Congo, o eru em Camarões, a língua-de-vaca e a alfavaca na Bahia: todos falam a mesma língua ancestral, cada qual com seu sotaque.
E essa troca amplia os conhecimentos —não apenas sobre o que se come, mas sobre quem somos, de onde viemos e como nossas histórias se cruzam no fogo, no pilão, na panela.
E aproveitando para citar quem me trouxe ainda mais perto dessas tradições —
@am_tiezan com seu olhar sensível sobre a culinária camaronesa, e @hugues.mbenda, que me abriu as portas do universo congolês com afeto, profundidade e uma generosidade que transforma
As folhas africanas listadas — ugwu, efirin, o alumã ao qual fez parte da minha conversa com a Doutora @Anike Omindire, o gbure — encontram seus espelhos na Bahia: quioiô, taioba, língua-de-vaca, ora-pro-nóbis.
Os métodos de cozimento — fritar, ferver lentamente, defumar, embrulhar, combinar técnicas — também atravessaram o Atlântico e se enraizaram.
Assim, a conversa iniciada por @elikiah_agnala não é só sobre comida — é sobre ancestralidade reconhecendo ancestralidade.
E quando esses saberes se encontram, ampliam horizontes e criam caminhos para que tradições se fortaleçam, se reinventem e sigam vivas.
https://sossegodaflora.blogspot.com/2021/02/alimentos-tradicionais-na-diaspora-afro.html?m=1
QUAND LES PLANTES PARLENT DE LA DIASPORA
Un véritable rencontre de continents par la nourriture — comme l’a dit @elikiah_agnala, le Soso ya mwamba est bien plus qu’un plat, c’est un voyage.
Et lorsque ce voyage rencontre le eru et arrive en Bahia, une nouvelle couche de compréhension s’ouvre : la cuisine comme pont, comme chemin de savoirs qui se reconnaissent.
L’étude sur les Plantes Alimentaires Traditionnelles dans la Diaspora Afro-Atlantique montre que ces connexions ne sont pas des coïncidences — ce sont des mémoires profondes.
Et plus j’explore ce thème, plus je comprends qu’il traverse non seulement les territoires, mais aussi moi, nous, nos recherches et nos histoires.
Cette investigation m’a révélé quelque chose d’essentiel : ce que nous appelons « tradition » est une technologie vivante.
C’est une mémoire en mouvement.
Une pratique qui se réinvente sans perdre ses racines.
En entrant en contact avec ces plantes et leurs récits, je comprends que je ne manipule pas seulement des ingrédients — je touche des mémoires qui ont survécu aux naufrages, aux ruptures et aux déplacements forcés.
Ces plantes — et les savoirs qui les accompagnent — nous montrent que la Diaspora n’est pas seulement douleur. Elle est aussi ingéniosité, créativité, transmission et partage.
La preuve que, même en traversant les océans, nos communautés ont trouvé des façons de continuer à être, cuisiner, appartenir.
Chaque feuille, chaque racine, chaque geste de cuisine est un lien qui nous reconnecte.
Et plus j’étudie, explore, converse, écoute et vis ces expériences, plus je perçois qu’aucune frontière n’est capable de séparer ce qui a été planté dans les corps et dans la mémoire collective.
C’est pourquoi ces connexions sont si significatives : elles élargissent notre compréhension, nous rendent à notre profondeur et nous rappellent que notre recherche est aussi faite de rencontres, d’affects et de découvertes qui nous transforment.
Des siècles de déplacements forcés ont créé des dialogues silencieux entre feuilles, techniques et saveurs.
Le fumbwa au Congo, le eru au Cameroun, la “língua-de-vaca” et l’alfavaca en Bahia : tous parlent la même langue ancestrale, chacun avec son accent.
Quand @elikiah_agnala évoque la texture, l’intensité des feuilles africaines, quelque chose s’allume aussi en Bahia, où l’usage des feuilles — de jardin, de roça — reste une pratique vivante.
Lorsque vous préparez le Soso ya mwamba et reconnaissez sa parenté avec le eru, la compréhension s’élargit : la cuisine est un territoire de rencontre, où des peuples distants se reconnaissent.
Et cet échange enrichit les connaissances — non seulement sur ce que l’on mange, mais sur qui nous sommes, d’où nous venons et comment nos histoires se croisent dans le feu, le pilon et la marmite.
Et je ne peux manquer de mentionner celles et ceux qui m’ont rapproché encore davantage de ces traditions —
@Axelmbecha, avec son regard sensible sur la cuisine camerounaise,
et @hugg.mbenda, qui m’a ouvert les portes de l’univers congolais avec affection, profondeur et une générosité qui transforme.
Les feuilles africaines citées — ugwu, efirin, l’alumã dont j’ai parlé avec la docteure @Anike Omindire, le gbure — trouvent leurs miroirs en Bahia : quioiô, taioba, língua-de-vaca, ora-pro-nóbis.
Les méthodes de cuisson — frire, mijoter lentement, fumer, envelopper, combiner les techniques — ont, elles aussi, traversé l’Atlantique et se sont enracinées.
Ainsi, la conversation initiée par @elikiah_agnala ne porte pas seulement sur la nourriture — elle concerne l’ancestralité qui reconnaît l’ancestralité.
Et lorsqe ces savoirs se rencontrent, ils élargissent les horizons et ouvrent des chemins pour que les traditions se renforcent, se réinventent et restent vivantes.
https://sossegodaflora.blogspot.com/2021/02/alimentos-tradicionais-na-diaspora-afro.html?m=1
A fumbwa ( Gnetum africanum ) é uma trepadeira silvestre com folhas grossas e papiráceas, encontrada nas florestas tropicais da África.
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