NA HORA DE COMER, UM CONVITE PARA CUIDAR DO PLANETA: COMO NOSSA CULTURA ALIMENTAR PODE AJUDAR NO CLIMA
Pesquisa recém-divulgada revela que nossa relação com a comida tem um poder surpreendente no enfrentamento das mudanças climáticas.
O estudo “Cultura e Clima – Percepções e Práticas no Brasil”, realizado pela ONG C de Cultura e pela Outra Onda Conteúdo, em parceria com a PUCRS, mostra que valorizar ingredientes de perto de casa, resgatar modos tradicionais de preparo e participar de hortas comunitárias são muito mais que hobbies – são formas de ação climática ao nosso alcance.
Os números comprovam que nós, brasileiros, enxergamos essa conexão. A pesquisa aponta que:
· 83,5% de nós acreditam que a cultura – a música que ouvimos, os filmes que vemos e, claro, a comida que preparamos – é uma porta de entrada para entender as mudanças do clima.
· 73,3% veem nessas expressões culturais uma plataforma para agir de verdade, um convite à prática.
· E mais: 62,6% já mudaram hábitos de consumo ou alimentação inspirados por algo cultural que consumiram – uma receita vista na internet, um documentário, uma dica passada de geração em geração.
“O público não apenas consome cultura, mas está disposto a agir por meio dela — e a comida é um campo privilegiado dessa conexão entre arte, afeto e ambiente”, reflete Mariana Resegue, diretora-executiva da C de Cultura.
A Sabedoria que Vem da Terra
O estudo também joga luz sobre um tesouro nacional: o conhecimento dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.
Para 77,5% dos brasileiros, esses saberes são fundamentais para lidar com a crise climática.
São eles que, há gerações, cultivam, preparam e compartilham os alimentos de forma a conservar a biodiversidade e manter o equilíbrio dos ecossistemas. É uma ciência viva, testada e aprovada pelo tempo.
Apesar de toda essa consciência, um sentimento de impotência ainda nos cerca – 52,4% se sentem paralisados diante da magnitude do problema.
É justamente aí que a alimentação se revela uma linguagem poderosa para nos mover.
“Traduzir a ciência em comida é traduzir em gesto cotidiano”, explica Eduardo Carvalho, diretor da Outra Onda Conteúdo. “Quando uma receita valoriza ingredientes locais ou reduz o desperdício, ela conecta o clima à vida real, à saúde e ao território.”
Do Prato para o Mundo
A pesquisa deixa claro que desejamos um futuro diferente. Quase 90% dos entrevistados anseiam por lideranças políticas que unam sustentabilidade e equidade social. Enquanto isso, podemos começar pela nossa própria mesa.
Em um país onde cozinhar é um ato de afeto, de memória e de resistência, a comida se torna um convite saboroso para a ação. É no cuidado com o que plantamos, no respeito ao que colhemos e no carinho com que preparamos nossos alimentos que podemos, literalmente, saborear um futuro mais justo e sustentável.
O estudo completo será lançado no próximo dia 13 de novembro, durante a COP30, em Belém, reforçando que a história de cada alimento também é parte essencial da agenda do clima.
@charoth10
#Elcocineroloko

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