SABORES QUE REENCONTRAM SUAS ORIGENS

Durante os últimos 45 dias, vivi uma travessia que reafirmou o poder da cozinha baiana como expressão viva de uma cultura ancestral que resiste, encanta e se reinventa.

Participar da temporada do @LesGrandesTables, em Marselha, Paris e Saint-Denis, foi mais do que uma residência culinária — foi um reencontro da diáspora baiana com suas próprias origens. Uma travessia atlântica onde cada prato se tornou linguagem, e cada sabor, uma ponte entre memórias.

Entre tantas experiências, a fala de Abdalla Etoile, parceiro querido, revelou o verdadeiro sentido dessa travessia — o de que cozinhar é também reacender lembranças e afetos que dormem dentro de nós:

> “Um momento passado com o chef Alício Charoth, aprendendo as delícias da culinária tradicional da Bahia — o abará e a moqueca de dourado — despertou em mim as raízes da culinária e fez renascer os aromas suaves e esquecidos da minha infância em Comores.

Porque cada prato é uma travessia — e cada travessia, um reencontro com quem somos.”

Essa partilha resume o que significa levar a culinária da Bahia ao cenário internacional: dar visibilidade a uma tradição que atravessou oceanos e segue unindo povos pela sensibilidade dos sabores e dos saberes.

Cada receita traz consigo a força das comunidades quilombolas, dos guardiões de sementes, das mestras e mestres da terra — os verdadeiros depositários da memória gustativa do nosso povo.

Este projeto só foi possível graças à visão e à estrutura do @LesGrandesTables e da Braço Social, no âmbito da Temporada Brasil–França 2025, com curadoria e realização do Instituto Cultural Acrópole.

Agradeço também o apoio da @Petrobras, via Lei Rouanet, por acreditar que a cultura é uma poderosa ferramenta de conexão entre os povos.

A todos os que estiveram conosco — produtores, cozinheiros, mestres e comensais —, meu mais profundo agradecimento.

Esta conquista é coletiva e reafirma o lugar da culinária baiana como protagonista no diálogo global sobre identidade, território e ancestralidade.

Com gratidão,

Alício Charoth



Ces 45 derniers jours, j'ai vécu une traversée qui a réaffirmé le pouvoir de la cuisine bahianaise comme expression vivante d'une culture ancestrale qui résiste, enchante et se réinvente.

Participer à la saison des @LesGrandesTables, à Marseille, Paris et Saint-Denis, fut bien plus qu'une résidence culinaire — ce fut une réunion de la diaspora bahianaise avec ses propres origines. Une traversée atlantique où chaque plat est devenu un langage, et chaque saveur, un pont entre les mémoires.

Parmi tant d'expériences, les mots d'Abdalla Etoile, un cher partenaire, ont révélé le véritable sens de cette traversée — celui que cuisiner, c'est aussi raviver des souvenirs et des affects qui sommeillent en nous :

“Un moment passé avec le chef Alício Charoth, à apprendre les délices de la cuisine traditionnelle de Bahia — l'abará et la moqueca de dorade — a réveillé en moi les racines de la cuisine et a fait renaître les arômes doux et oubliés de mon enfance aux Comores.

Parce que chaque plat est une traversée — et chaque traversée, une retrouvaille avec qui nous sommes.”

Ce partage résume ce que signifie amener la cuisine de Bahia sur la scène internationale : donner de la visibilité à une tradition qui a traversé les océans et qui continue d'unir les peuples par la sensibilité des saveurs et des savoirs.

Chaque recette porte en elle la force des communautés quilombolas, des gardiens de semences, des maîtres et maîtresses de la terre — les véritables dépositaires de la mémoire gustative de notre peuple.

Ce projet n'a été possible que grâce à la vision et à la structure des @LesGrandesTables et de Braço Social, dans le cadre de la Saison Brésil–France 2025, avec le commissariat et la réalisation de l'Instituto Cultural Acrópole.

Je remercie également le soutien de @Petrobras, via la Loi Rouanet, pour croire que la culture est un outil puissant de connexion entre les peuples.

À tous ceux qui ont été avec nous — producteurs, cuisiniers, maîtres et convives —, ma plus profonde gratitude.

Cette réussite est collective et réaffirme la place de la cuisine bahianaise comme protagoniste dans le dialogue global sur l'identité, le territoire et l'ancestralité.

Avec gratitude,

Alício Charoth

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