🌍 QUE PAISAGEM ESTAMOS CONSTRUINDO?


A pergunta lançada por Gilles Clément e Véronique Mure — “Que paisagem estamos construindo?” — ressoa muito além do Mediterrâneo. É um convite a pensar sobre o tipo de mundo que estamos moldando, e sobre a responsabilidade compartilhada de quem habita, projeta e transforma os espaços da vida.

Véronique Mure, botânica e engenheira agrônoma especializada em agronomia tropical, defende há mais de trinta anos a dimensão patrimonial dos jardins e das paisagens mediterrâneas. Professora da École nationale supérieure du paysage de Marseille, ela dedica-se a compreender os vínculos entre a flora, os jardins e o território, seja sob o olhar naturalista, histórico ou prospectivo.

Ao seu lado, Gilles Clément, considerado o jardineiro mais influente da França, inspira gerações de profissionais e jardineiros amadores com sua visão de ecologia humanista. Mesmo aos oitenta anos, Clément continua a ensinar e provocar, reunindo jovens em torno de palestras e oficinas que questionam a separação entre conceito e prática, mente e mãos.

Apesar de seu reconhecimento internacional como paisagista e teórico, ele insiste em se definir apenas como jardineiro — alguém que cultiva, observa e age em parceria com o mundo vivo.

Juntos, eles propõem um diálogo sobre o compartilhamento da assinatura, ou seja, sobre como cada gesto — do arquiteto, do agricultor, do cidadão — participa da criação das paisagens do futuro.

Em Salvador, essa reflexão ganha um contorno urgente. A cidade, desolada pelo descaso urbanístico, é hoje o retrato de um modelo que privilegiou o lucro e o cimento em detrimento do corpo, da sombra e do vento. Uma cidade onde o tempo natural foi substituído pelo tempo do trânsito e da especulação.

Mas talvez ainda seja possível recuperar o que Clément chama de “jardim em movimento” — um espaço que reconhece o valor do imprevisível, do espontâneo e do crescimento natural.

Há novas possibilidades de urbanismo sensível, nascidas de gestos cotidianos e coletivos: hortas comunitárias, quintais urbanos, cozinhas partilhadas, ocupações culturais e mutirões verdes. São expressões de uma outra forma de paisagem — aquela que nasce do encontro entre o humano e o vegetal, entre o cuidado e a cidade.

Salvador, com sua força ancestral e suas cicatrizes abertas, pode ser também laboratório de reencantamento. Um lugar onde o urbanismo volte a conversar com o mangue, com as águas, com as ladeiras e com o ritmo dos corpos.

Talvez a pergunta que reste seja esta:

🌱 Com quem e para quem estamos construindo a paisagem do nosso tempo?


🗣️Conferência: “Que paisagem estamos construindo? O compartilhamento da assinatura”

📅 Quando? 18h30

📍 Onde? Anfiteatro 250


No âmbito das Quintas-feiras do IMVT, participe desta conferência imperdível organizada pela ENSP-M e pela Sociedade dos Arquitetos. 🌱✨


No programa: um diálogo envolvente entre Gilles Clément — jardineiro, paisagista, botânico, entomologista, biólogo e escritor — e Véronique Mure, botânica e engenheira agrônoma especializada em agricultura tropical.


Não perca esta oportunidade de explorar o futuro das nossas paisagens! 🌍💚

👉 Inscrições: marseille.archi.fr


#Conferência #Paisagem #Agricultura #Arquitetura #Natureza @enspaysage

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