JORGE AMADO E CARYBÉ NO CENTRE POMPIDOU: UMA CELEBRAÇÃO DA CULTURA BAIANA

Fiz este vídeo com Horácio Colina, que me fez lembrar de fatos fascinantes sobre a internacionalização da obra de Carybé e Jorge Amado.

Entre 16 de dezembro de 1992 e 18 de janeiro de 1993, o Centre Georges‑Pompidou, em Paris, sediou a exposição “Jorge Amado, écrivain de Bahia”, organizada no contexto do evento Amériques Latines. 

A mostra reuniu obras, manuscritos, fotografias e materiais relacionados à trajetória do escritor baiano, celebrando seu 80º aniversário e reafirmando seu lugar como um dos maiores nomes da literatura brasileira.

A presença de Carybé, artista plástico e ilustrador de diversas obras de Jorge Amado, conferiu à exposição uma dimensão visual singular. 

Suas ilustrações, reconhecidas pelo traço intenso e pela riqueza de cores, capturam a essência da Bahia — sua religiosidade, a cultura afro-brasileira, os mercados, os personagens e o cotidiano das cidades e comunidades do estado.

O encontro entre literatura e artes visuais, representado pela colaboração entre Jorge Amado e Carybé, reforça o conceito de baianidade, movimento cultural que valoriza a diversidade, a memória afro-indígena e a riqueza do patrimônio cultural da Bahia. 

Na exposição do Pompidou, essa parceria funcionou como uma ponte entre Brasil e França, permitindo ao público europeu compreender melhor a vitalidade da cultura baiana e a força de suas narrativas.

Além de ilustrar a obra literária de Jorge Amado, Carybé trouxe para o espaço museológico a vivacidade de suas telas, muitas vezes inspiradas pelo sincretismo religioso, pela música e pelas tradições populares. Essa fusão entre palavra e imagem mostra que a Bahia, além de cenário literário, é também uma experiência sensorial e estética, capaz de dialogar com diferentes públicos e contextos culturais.

A exposição no Centre Pompidou não foi apenas uma homenagem a Jorge Amado, mas também um reconhecimento internacional da arte de Carybé e da riqueza cultural da Bahia. Ela permanece como referência para entender a interseção entre literatura, artes visuais e identidade cultural brasileira, demonstrando que a criatividade pode atravessar fronteiras e construir pontes entre mundos distintos.



@charoth10

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