REVOLUÇÃO ALIMENTAR EM UBATUBA: QUILOMBOS TRANSFORMAM EDUCAÇÃO, CULTURA E CULINÁRIA LOCAL

Nas cozinhas das escolas e nas práticas comunitárias, uma nova forma de educar, alimentar e conectar crianças à ancestralidade quilombola ganha força e se torna referência no Brasil.

Merendeiras quilombolas: protagonistas da alimentação escolar em Ubatuba

Na Escola Municipal Quilombola Benedita Crispim dos Santos, na Caçandoca, merendeiras como Ana Cláudia da Matta e Carla Soares Gaspar estão no centro dessa transformação. Elas não apenas preparam refeições: constroem, diariamente, a ponte entre as crianças, o território e a cultura alimentar quilombola.

Essas profissionais são verdadeiras guardiãs da cultura alimentar tradicional, reforçando vínculos afetivos e garantindo que as receitas, técnicas e ingredientes ancestrais continuem vivos.

Culinária quilombola e agrofloresta: base da revolução alimentar de Ubatuba

A alimentação quilombola de Ubatuba é fundamentada na agrofloresta, em plantios comunitários e no uso sustentável de espécies da Mata Atlântica. Entre os principais ingredientes estão mandioca, milho, frutas nativas, taioba e a pesca artesanal — alimentos que reforçam o elo entre comunidade e natureza.

Visitantes podem vivenciar essa cultura nos quilombos da Fazenda e do Sertão do Itamambuca, onde cozinhas coletivas e oficinas de culinária oferecem experiências com pratos tradicionais como:

•beiju

•tapioca

•moquecas

alimentos cultivados e colhidos na própria comunidade.

Essa prática fortalece a economia local, a autonomia alimentar e a conservação ambiental.

Educação quilombola como ferramenta de identidade e pertencimento

Segundo Isabel Silva, representante do conselho deliberativo da Associação, a escola quilombola é um espaço estratégico para enaltecer a cultura local por meio de uma educação diferenciada, baseada no território.

Já Vicentina Gabriel, liderança local e integrante da Secretaria Municipal de Educação, reforça:

> “Além de ser um espaço educativo, é um espaço de memória e de memória afetiva. Essa escola será uma referência de educação diferenciada.”

Ela completa com um chamado fundamental para a continuidade da identidade quilombola:

> “Nós somos uma comunidade quilombola. Temos identidade, ancestralidade, e não podemos perder isso de vista. Precisamos transmitir isso às crianças, aos jovens e até aos adultos que ainda estão nesse processo de consciência e pertencimento.”

Quilombos de Ubatuba mostram como comida, cultura e educação constroem futuro

O movimento que surge nos quilombos de Ubatuba não é apenas preservação — é uma transformação profunda, que reposiciona a alimentação como ferramenta de autonomia e a escola como um quilombo vivo.

A revolução alimentar de Ubatuba nasce da mandioca, do fogão de barro, da memória ancestral e do trabalho de merendeiras que entendem a comida como conhecimento. O resultado é um modelo que inspira outras cidades a olharem para seus próprios territórios e tradições.



https://www.ubatuba.sp.gov.br/noticias/merendeirassaberes14nov/


@charoth10

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