CLÁUDIA SÂNTIZ: A CHEF QUE VIU O FUTURO NA TERRA

Mas o que a distingue não é apenas o prestígio, e sim a maneira como ela transforma o ato de cozinhar em uma prática espiritual e política.

Formada em Gastronomia pela Universidade de Ciências e Artes de Chiapas, Sántiz escreveu sua tese em sua língua materna — gesto simbólico e insurgente, que reafirma sua pertença e o valor dos saberes originários. Em 2016, abriu o restaurante Kokono’, em San Cristóbal de las Casas. O nome significa “epazote” em tsotsil, uma planta aromática essencial nas cozinhas tradicionais do México, usada tanto para temperar quanto para curar.

Para ela, o alimento só tem sentido quando carrega o ciclo da vida: o pedido de permissão à terra, o cuidado com o solo, o tempo da colheita e o retorno ao mesmo chão que nutre.

Essa filosofia se expressa tanto nos ingredientes quanto nas escolhas éticas: nada de ultraprocessados, micro-ondas ou geladeiras abarrotadas. O que interessa é o alimento vivo, o que nasce e se transforma, o que é partilhado.

No livro Kokono’ de una mujer rebelde, ela reflete sobre sua trajetória e sobre a importância do amor próprio como ato político. Alimentar-se bem, para ela, é cuidar de si e da terra; é resistir ao esquecimento e à homogeneização imposta pela modernidade.

Claudia Sántiz é, portanto, mais do que uma chef. É uma mulher que olhou para o futuro através da terra, devolvendo dignidade aos saberes indígenas e propondo uma outra forma de pensar o alimento — não como produto, mas como relação.


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